Artigo de Blogue

Todos os Artigos

Dias 1 & 2: "The Cockettes" e "Before Stonewall" em destaque nos primeiros dias

Tem início esta quarta-feira, dia 16 de outubro, a 5ª edição do Queer Porto que tem como Filme de Abertura The Cockettes, de Bill Weber e David Weissman, um extraordinário documentário que nos transporta da psicadélica São Francisco dos anos 60 à São Francisco gay dos anos 70, em que os The Cockettes, uma flamejante troupe de hippies se enfeitavam num drag gender-bender, com muito glitter, para uma série de lendários espetáculos à meia-noite no Palace Theatre de North Beach. Este multi-premiado filme, que terá lugar às 21:30 no Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, é já um marco do cinema queer e integra também o programa 50 Anos dos Motins de Stonewall, um dos principais destaques do Queer Porto 5.

O primeiro dia do festival começa, no entanto, às 15:00 com o arranque da Competição Oficial com o filme M, de Yolande Zauberman, impressionante documentário sobre os abusos sofridos por crianças na ultra-ortodoxa comunidade judaica de Bnei Brak, em Israel. Guiados por Menahem Lang, cuja voz prodigiosa, em criança, todos encantava, embarcamos por uma viagem noturna em que serão confrontados todos os fantasmas e de onde ninguém escapa impune.

Ainda integrado na mesma competição, será também exibido, no mesmo dia às 19:00, The Man Who Surprised Everyone, de Natasha Merkulova e Aleksey Chupov, estranha história de Egor, um destemido guarda florestal na taiga siberiana que, ao descobrir que lhe restam apenas dois meses de vida, tenta enganar a morte tomando a identidade de uma mulher. No dia seguinte teremos, na competição, Yours in Sisterhood, de Irene Lusztig, às 17:00, e Los Miembros de la Familia, de Mateo Bendesky, às 22:00. No primeiro assistimos a centenas de mulheres, vindas de comunidades de todos os Estados Unidos, a ler em voz alta e responder às cartas dos anos setenta enviadas à editora da Ms., a primeira revista feminista mainstream dos EUA, e no segundo acompanhamos os irmãos Lucas e Gilda na sua viagem para uma pequena cidade balnear argentina onde Lucas explora a sua sexualidade e os limites do seu corpo, enquanto Gilda procura algum significado para o mundo à sua volta.

Ainda no dia 16, às 17:00, é apresentado o primeiro filme do programa 50 Anos dos Motins de Stonewall, The Archivettes, de Megan Rossman, que foca a importância dos legados materiais para memória futura, neste caso sobre a realidade dos movimentos de lésbicas nos EUA, continuando este programa no dia seguinte, desta vez na Reitoria da Universidade do Porto, às 17:00, com o clássico documentário Before Stonewall, de Greta Schiller e Robert Rosenberg, A este seguir-se-á, também na Reitoria, um Debate que reune perspetivas provenientes do ativismo, da política, da prática médica, das práticas artísticas, ou do testemunho.  

No dia 17, às 15:00, tempo para a Competição In My Shorts de filmes de escolas portuguesas. Nesta secção destaque para a presença de algumas realizadoras na sessão. Tatiana Ramos apresentará a sua curta de ficção Jantar e Antía Carreira apresentará Pestanas Postizas, curta-metragem experimental feita no contexto do design de moda. 

Destaque muito especial também para o programa de Vídeo-Ensaios, dia 17 às 19:00, onde ressalvamos filmes como Flow/Job, de Darren Elliott-Smith, em que se faz uma análise estética dos filmes da icónica estrela de pornografia gay Joey Stefano em justaposição com a lendária curta experimental de Andy Warhol, Blow Job, ou International Face, de Natalie Tsui, uma meditação sobre raça, diásporas queer e sistemas de classificação de imagens.

A terminar o segundo dia temos a primeira sessão do sempre muito aguardado Queer Pop, no Maus Hábitos. Intitulada Nos 50 Anos de Stonewall, o programa parte do tema central desta edição do Queer Porto e apresenta telediscos dos Bronski Beat, Le Tigre, RuPaul, e Troye Sivan, entre outros, refletindo sobre a evolução das expressões queer na pop durante os últimos 50 anos, culminado inevitavelmente no mais recente trabalho de Madonna, figura incontornável da cultura queer, pelo seu ativismo e pela construção de uma iconografia com fortes raízes nessa mesma cultura.

Ainda para terminar o dia de abertura, um Queer Rendez-vous no Maus Hábitos para brindarmos a mais uma edição recheada de cinema queer.