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Dias 3, 4 & 5: "Madame", "The Gospel of Eureka" e "El Ángel" em destaque

O terceiro dia do Queer Porto 5 tem início com mais uma sessão da Competição Oficial, às 15:00 no Teatro Rivoli, com o delicado mas contundente A Dog Barking at the Moon, de Xiang Zi, em que Huang Xiaoyu, uma escritora chinesa radicada nos EUA, ao voltar à China para passar uma temporada durante a sua gravidez, se vê presa nas dinâmicas disfuncionais dos seus pais e confrontada com o seu difícil passado familiar.

Ainda neste dia veremos na mesma competição, às 19:00, Madame, de Stéphane Riethauser, que estará presente no Porto para apresentar uma saga familiar com base em imagens de arquivo privadas, que propõe uma viagem íntima onde uma exuberante avó de 90 anos, e o seu neto cineasta, exploram o desenvolvimento e a herança da identidade de género no seio de um ambiente patriarcal.

E mais tarde, a fechar o dia, às 22:00, The Gospel of Eureka, de Michael Palmieri e Donal Mosher, também presentes no festival, onde nos trazem uma história de amor, fé e direitos civis que colidem numa cidade sulista, quando cristãos evangélicos e drag queens ocupam os holofotes, para assim desmantelar estereótipos num olhar pessoal, e muitas vezes cómico, sobre a negociação das diferenças entre religião e crença. 

Ainda no dia 18, mais uma oportunidade para exibirmos o programa Agência 20 Anos: Carta-Branca a Cláudia Varejão, depois da passagem pelo Queer Lisboa 23. Esta é uma sessão que apresenta exclusivamente filmes realizados ou corealizados por mulheres portuguesas em que a curiosidade investigativa se faz diálogo com o território e a paisagem natural. Do programa fazem parte os filmes: A Torre, de Salomé Lamas; Insert, de Filipa César e Marco Martins; Paisagem, de Renata Sancho; Retrato de Inverno de uma Paisagem Ardida, de Inês Sapeta Dias; e Um Campo de Aviação, de Joana Pimenta. Temos o prazer de ter connosco Cláudia Varejão, que apresentará a sessão, às 17:00 no Teatro Rivoli.

E para terminar o terceiro dia, às 23:30, rumamos ao Maus Hábitos para a segunda sessão do Queer Pop, desta vez totalmente dedicada a Britney Spears. Esta é uma sessão onde se traça o percurso de uma das nossas estrelas pop favoritas, desde o seu começo no Club Disney até femme fatale obcecada com couro. 

O sábado, dia 19, começa com a sessão final da Competição Oficial, Raia 4, de Emiliano Cunha, às 15:00, que nos fala de Amanda, uma atleta de natação de 12 anos, calma e reservada, que procura segurança no seu próprio universo - debaixo de água, onde os segredos não podem ser ouvidos.

Às 17:00 saltamos para mais uma sessão do programa 50 Anos dos Motins de Stonewall, com Self-Portrait in 23 Rounds: a Chapter in David Wojnarowicz's Life, 1989-1991, de Marion Scemama e François Pain, um brilhante retrato do artista e ativista norte-americano, ao qual se segue uma Sessão Especial, às 19:00, onde apresentamos O Beijo no Asfalto, de Murilo Benício. A estreia na realização do conhecido ator brasileiro, é uma releitura da peça homónima de Nelson Rodrigues que conta a história de Arandir que, ao atender ao pedido de um beijo na boca feito por outro homem que está prestes a morrer, se torna matéria sensacionalista para Amado, um repórter que passa a explorar o “caso” para vender mais jornais.

À exibição do filme de Benício segue-se uma conversa com o performer Tales Frey sobre a importância da obra do dramaturgo Nelson Rodrigues, e sobre a leitura que podemos fazer hoje deste texto dramático de 1961. Tendo ainda como mote o filme, Tales Frey irá apresentar a performance O Outro Beijo no Asfalto, uma intertextualidade com o clássico rodrigueano em que dois artistas, com trajes convencionalmente trocados, se suspendem num beijo de 30 minutos ininterruptos. A performance terá lugar na Praça D. João I, imediatamente antes da exibição do filme, às 18:15. 

O dia no Teatro Rivoli termina, com o Filme de Encerramento do festival, às 21:30, El Ángel, de Luis Ortega, estreado na edição de 2018 do Festival de Cinema de Cannes, e que tem colecionado prémios nos muitos festivais por onde tem passado. “El Ángel” é Carlitos, um jovem de 17 anos de idade, com a arrogância de uma estrela de cinema, cabelo loiro encaracolado e cara de miúdo, mas com um lado obscuro de roubos e embustes. Quando conhece Ramon na sua nova escola, Carlitos sente-se imediatamente atraído por ele e começa a chamar a sua atenção. Juntos embarcam numa viagem de descobertas, amor e crime.

Subimos por fim ao habitual Maus Hábitos para uma Festa de Encerramento de arromba. Noite com três nomes de exceção: a performance Bitcho, da Susanna Chiocca, abrirá fogo dando corpo a um animal feminino. Seguirá depois na cabine a juicy Catxibi, conhecida do coletivo feminino Thug Unicorn e da Rádio Quântica. E, por fim, a noite acaba com o muito esperado regresso de DJ Kitten, o reconhecido dj que reescreveu a cena clubbing com as famosas festas KITTEN no Porto e em Lisboa nos anos 2000. 

No dia seguinte, dia 20 de outubro, ainda há Queer Porto 5. O festival apresenta no domingo os dois filmes finais do ciclo 50 Anos dos Motins de Stonewall, Gay USA e Buddies, ambos de Arthur J. Bressan Jr., e ambos filmes lendários que marcam indelevelmente a sua época e que se tornaram artefactos essenciais para o conhecimento e compreensão das vivências gay e da cultura queer nos EUA, nas duas épocas em que os filmes acontecem.  

No fim do dia, e em jeito de despedida, um Queer Rendez-vous final no Pony Bar, onde se irá dançar e celebrar mais uma edição do Queer Porto, e também dizer “Até para o ano!”.