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Dias 3, 4 e 5 do Queer Porto 4: Dennis Cooper e "Shéhérazade" em destaque

O Queer Porto tem este ano como convidado especial o escritor de culto norte-americano Dennis Cooper, largamente influenciado pelos movimentos punk e queercore, autor de novelas como Frisk ou The Sluts, e que recentemente enveredou pelo cinema. Cooper estará no Rivoli, juntamente com Zac Farley, para apresentar o filme corealizado por ambos, Permanent Green Light (sexta, dia 12 de outubro, 22h, Pequeno Auditório), e para um encontro com os espectadores do Festival, antes da sessão, pelas 18h, no Café Rivoli.

Como Filme de Encerramento da sua 4ª edição, o festival apresenta Shéhérazade, de Jean-Bernard Marlin, estreado na Semana da Crítica da passada edição do Festival de Cannes, e que é uma poderosa ficção sobre o universo dos trabalhadores do sexo na cidade de Marselha, onde o jovem Zachary se apaixona por Shéhérazade, um amor que procura algum tipo de redenção e sobrevivência na violência e abandono dos meios sociais e familiares onde vivem.  

Da Competição Oficial, vão ser ainda exibidos os filmes The Rest I Make Up (sexta, dia 12 de outubro, 15h, Pequeno Auditório), de Michelle Memran, onde se traça a história da vida e da incontornável obra da dramaturga de origem cubana, María Irene Fornés, até aos dias de hoje, vítima de Alzheimer; Soldiers. Story from Ferentari (sexta, dia 12 de outubro, 19h, Pequeno Auditório), de Ivana Mladenovic, uma insólita ficção passada num bairro cigano de Bucareste e que narra a complexa relação entre dois homens vindos de meios completamente diferentes; e Dykes, Camera, Action! (sábado, dia 13 de outubro, 15h, Pequeno Auditório), de Caroline Berler, um importante documento sobre o papel fundamental de mulheres artistas na história do cinema queer.

O Teatro Rivoli acolhe ainda um programa sobre o universo da moda, onde são exibidos We Margiela (sexta, dia 12 de outubro, 17h, Pequeno Auditório), da produtora holandesa mint film office, que acompanha o nascimento da emblemática casa de moda dirigida pelo enigmático Martin Margiela, responsável por uma verdadeira revolução nesta indústria; e George Michael: Freedom - Director’s Cut (sábado, dia 13 de outubro, 17h, Pequeno Auditório), de George Michael e David Austin, uma exaustiva viagem pela música e vida de uma das maiores estrelas pop contemporâneas cuja carreira atravessa mais de três décadas e que teve uma estreita relação com a moda, particularmente a partir do momento em que recusou aparecer publicamente na promoção das suas canções.

No seguimento da passagem dos documentários sobre moda, a loja Wrong Weather associa-se novamente ao festival com uma exposição retrospetiva sobre a lendária Maison Margiela. A exposição Margiela 5, estará patente na galeria entre 10 e 20 de outubro e pode ser vista entre as 10h30 e 19h30, de segunda a sábado.

O Queer Porto 4 apresenta ainda outras propostas como a performance Pussy. An Ongoing Performative Research, de Liad Hussein Kantorowicz, a ter lugar na sexta, dia 12 de outubro, pelas 23h30, no Maus Hábitos, uma provocadora performance que aborda e denuncia questões ligadas à discriminação contra as mulheres e à apresentação do feminino como objeto/sujeito sexual; a projeção do filme No Democracy Here, realizado por Liad e seguido de uma conversa com ela (na Mala Voadora, no domingo 14, às 17h00); assim como o espetáculo  #LOSMICRÓFONOS, domingo, dia 14 de outubro, às 20h30, do grupo espanhol Mont de Dutor, que encerra o festival, na Mala Voadora, e que nos sugere um mergulho num universo comum que nos rodeia constantemente: a cultura pop.

Para a Festa de Encerramento da 4.ª edição do Queer Porto (dia 13 de outubro, às 23h30), a noite no Maus Hábitos conta com a participação dos DJ’s Simone e André Fonseca de Carvalho, dois conhecidos nomes da cidade do Porto que se juntam para celebrar entre ritmos dos oitentas e noventas, passando pela música eletrónica contemporânea. O momento erótico da noite chegará com o concerto do carismático Alexander Geist, apresentando o seu mais recente trabalho, "Speculative". Após ter viajado com os seus shows por palcos do mundo inteiro, o ícone disco-soul, convertido em figura de culto da cena underground europeia, chega ao Porto para nos demonstrar porque é considerado “Berlin’s daring darling” (como escreveu a ExBerliner) ou “a genre pushing queer act” (segundo The Quietus).