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Dias 4, 5 & 6: Brasil e “Disobedience” marcam o início da semana



Até quarta-feira, dia 19 de setembro, vai ser possível assistir às restantes três sessões da Competição para a Melhor Curta-Metragem, na Sala 3 do Cinema São Jorge, sempre às 19h15. A sessão de terça-feira, dia 18, conta com a presença da realizadora brasileira Ana Galizia, que vem apresentar o seu documentário Inconfissões, uma homenagem ao ator e encenador Luiz Roberto Galizia, seu tio; do realizador português Ricardo Vieira Lisboa, que apresenta Os Motivos de Reinaldo, um ensaio audiovisual à volta de dois filmes de Reinaldo Ferreira; e do ator russo Vsevolod Galkin, intérprete de It, realizado por Ilya Sherstobitov, uma intensa ficção sobre transsexualidade e bullying. Já a última sessão, a ter lugar na quarta-feira, conta com a presença da realizadora brasileira Carolina Markowicz, já anteriormente premiada no Queer Lisboa, e que vem apresentar o seu mais recente O Órfão, estreado na passada edição do Festival de Cannes. Também presente na sessão estará o realizador português José Magro, com o seu Letters from Childhood

Depois de ter passado pela secção Panorama da última edição da Berlinale, onde teve estreia mundial, o realizador nova-iorquino Jordan Schiele estará em Lisboa para apresentar o seu The Silk and the Flame, um belíssimo retrato a preto e branco de Yao, um jovem chinês, gay, que vai visitar a família durante o Ano Novo Chinês. Com passagem na quarta-feira, dia 19, às 21h30 na Sala 3, o filme integra a Competição para o Melhor Documentário, a par de títulos como Shakedown, de Leilah Weinraub (dia 19, 19h30, Sala Manoel de Oliveira), um mergulho nas eletrizantes festas homónimas na Los Angeles dos anos 1980, e que reúne um impressionante acervo visual que reconstitui este universo underground da comunidade afro-americana e lésbica; ou Cartas para um Ladrão de Livros, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros - que arrecadaram o prémio do público o ano passado no Queer Lisboa, com Entre os Homens de Bem -, onde acompanhamos a vida de Laéssio, uma figura marginal que fez do roubo de obras de arte a sua vida. O filme tem segunda passagem na segunda-feira, dia 17, às 17h15, na Sala Manoel de Oliveira.

Integrado na Competição Queer Art, o Queer Lisboa 22 recebe o realizador brasileiro Jean Santos, para a apresentação de Superpina (segunda-feira, dia 17, às 21h30, na Sala 3, com segunda passagem na terça-feira, dia 18, às 17h15, na Sala Manoel de Oliveira - na imagem), um livre e arrojado filme sobre a procura do “amor primordial”, com cenário no bairro do Pina, no Recife. Na terça-feira, dia 18, às 21h30 na Sala 3, e igualmente integrado no Queer Art, é a vez de o festival receber a realizadora espanhola Mònica Rovira, para nos falar sobre o seu Ver a una Mujer, um retrato delicado e intimista onde Rovira revisita a sua relação com a ex-namorada, Sarai.   

Os movimentos migratórios e o que eles implicam em termos identitários, os diferentes olhares entre ocidente e oriente, diferentes conceitos do que é ser-se queer, alimentam e encontram lugar de reflexão em muito do cinema de anos recentes. Esta edição do Queer Lisboa reúne um conjunto desses títulos, que permitem uma reflexão sobre estes temas. Entre esses títulos está Martyr, de Mazen Khaled (segunda-feira, dia 17, 19h30, Sala Manoel de Oliveira), parte da Competição Queer Art, uma muito original alegoria homoerótica sobre o tema da morte, rodado na cidade de Beirute. Esta longa-metragem é precedida da exibição de Sewing Borders, de Mohamad Hafeda, uma imaginativa abordagem de alguns residentes de Beirute a noções de fronteiras espaciais, temporais e históricas. Já a exibição de Apricot Groves, filme arménio de Pouria Heidary Oureh (segunda-feira, dia 17, 17h00, Sala 3), dará lugar a um Debate a seguir à sessão, com a presença da programadora turca Esra Özban, onde se discutirão temas relacionados com as problemáticas das migrações.

Na quarta-feira, dia 19, às 22h, na Sala Manoel de Oliveira, tem lugar a exibição da ficção lésbica, Disobedience, realizada por Sebastián Lelio (de Uma Mulher Fantástica) e protagonizada por Rachel Weisz, Rachel McAdams e Alessandro Nivola. A viver em Nova Iorque onde trabalha como fotógrafa, Ronit (Weisz) sabe da morte do pai, um judeu ortodoxo e decide voltar a casa, em Londres, para as cerimónias fúnebres. Há muito afastada da família, Ronit tem de aprender a lidar de novo com a comunidade judia ortodoxa. Aí, é acolhida pelo amigo de infância, Dovid (Nivola), um protegido do pai que o educou para seu sucessor. Mas a sua grande surpresa é quando sabe que Dovid casou com a sua melhor amiga, Esti (McAdams).

No arranque da semana, o ciclo “O vírus-cinema: cinema queer e VIH/sida” prossegue na Cinemateca Portuguesa, com a exibição do documentário de Joaquim Pinto, E agora? Lembra-me (segunda-feira, dia 17, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro), e a sessão Shorts 1: Bordowitz & others (terça-feira, dia 18, 19h, Sala M. Félix Ribeiro), que nos apresenta um conjunto de filmes ligados ao vídeo-ativismo da sida dos anos 80 e inícios de 90, de realizadores como Gregg Bordowitz, os Gran Fury ou John Greyson. Na quarta-feira, dia 19, às 18h30, na Sala Luís de Pina, tem lugar uma sessão dedicada aos filmes de Mike Hoolboom e Matthias Müller, à qual se segue um Debate à volta deste programa com a presença do ensaísta francês Didier Roth-Bettoni, autor do livro Les années sida à l’écran, Maria José Campos, médica, e João Pedro Vale, artista plástico.