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Dias 4, 5 & 6: Wieland Speck, Montgomery Clift e JT LeRoy marcam o início da semana

A começar a semana, o Queer Lisboa 23 tem o enorme prazer de apresentar, em colaboração com o Goethe-Institut Portugal, uma Conversa com Wieland Speck, Cineasta e Diretor do Berlinale Panorama entre 1992 e 2017. Speck, que nesta edição é também júri da competição de longas-metragens e coprogramador da retrospetiva “Berlinale Panorama 40”, vem conversar com João Ferreira, director artístico do Queer Lisboa, sobre o seu trabalho e os desafios de programação à frente da secção Panorama, nomeadamente os desafios estéticos mas sobretudo políticos do trabalho de curadoria de cinema nos dias de hoje, passando pelas origens e importância da criação do TEDDY Award, o seu trabalho na realização, culminando numa reflexão mais alargada sobre o passado, presente e futuro do cinema queer. A conversa tem lugar no auditório do Goethe-Institut Portugal, na segunda-feira, às 18:00.

O ciclo “Berlinale Panorama 40” prossegue na Cinemateca com filmes de Monika Treut (Max), Isaac Julien (The Attendant) e Hussein Erkenov (100 Days Before the Command), entre outros, enquanto no Cinema São Jorge continuam o Queer Focus com Ecosex, A User’s Manual, de Isabelle Carlier, e as sessões de Competição de Curtas-Metragens. Nesta competição, o festival recebe, na terça-feira, a visita dos realizadores Andrés Baron e Viet Vu, com os filmes Printed Sunset e Ant-Man, respetivamente e, na quarta-feira, o realizador de Heart of Hunger, Bernardo Zanotta.      

JT LeRoy traz ao ecrã da Sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge, as brilhantes Kristen Stewart e Laura Dern. O filme de Justin Kelly, mirabolante história de um dos mais famosos embustes literários das últimas décadas, faz parte da secção Panorama e é exibido na terça-feira às 22:00. Na mesma secção, lugar para outro ator que continua a fascinar, com Making Montgomery Clift (na imagem), de Robert Clift e Hilary Demmon, (segunda-feira às 19:30, na mesma sala) retrato de uma das mais amadas estrelas da Hollywood clássica, num filme que pretende ainda examinar as narrativas deturpadas que viriam a definir o seu legado.     

Destaque na Competição de Melhor Documentário para One Taxi Ride, de Mak CK, a poderosa história de Erick que, depois de anos em reclusão dentro da sua própria família devido à agressão sexual de que foi vítima, está pronto para confrontar o seu passado, e Game Girls, de Alina Skrzeszewka, onde duas mulheres tentam navegar o caótico mundo do bairro de Skid Row, em Los Angeles, mantendo a sua relação apesar das vontades inconciliáveis que começam a despertar em cada uma delas. Na competição Queer Art destacamos o fascinante Capital Retour, de Léo Bizeul, onde acompanhamos um corpo em busca de significado, e Manta Ray, de Phuttiphong Aroonpheng, conto fantasmático de um pescador que encontra um homem ferido do qual cuida, até ele próprio desaparecer e o outro se tornar ele, tomando conta da sua casa, do seu trabalho e da sua ex-mulher.  

Finalmente, a Competição de Longas-Metragens traz-nos na terça-feira, às 19:30 na Sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge, o muito aguardado vencedor do Teddy Award 2019, Breve Historia del Planeta Verde, de Santiago Loza, a hipnotizante viagem de Tania, uma mulher transgénero a quem foi legada uma importante missão, e no dia seguinte, na mesma sala às 22:00, Sócrates, de Alexandre Moratto, em que a personagem título, um adolescente pobre que subitamente perde a sua mãe, procura sobreviver numa sociedade implacável, tentando alcançar a estabilidade e dignidade que constantemente lhe fogem. O filme chega ao Queer Lisboa 23 depois de uma impressionante carreira em festivais internacionais e de ser nomeado para vários Independent Spirit Awards, onde o seu realizador venceu o prémio “Someone to Watch”.