Artigo de Blogue

Todos os Artigos

Dias 7, 8 & 9: Helena Ignez e Linn da Quebrada encerram o festival



Integrado na Competição Queer Art, o Queer Lisboa 22 recebe na sexta-feira, dia 21, às 19h15, a exibição de A Moça do Calendário, com a presença da atriz e realizadora de culto brasileira, Helena Ignez, e da protagonista do filme, Djin Sganzerla, filha de Ignez. O filme conta a história de Inácio, um ex-varredor de rua, que trabalha como bailarino e mecânico, nesta que é uma fragmentada crítica social ao Brasil dos dias de hoje. Também presentes em Lisboa estão a realizadora Nicoletta Nesler e a produtora Susi Monzali, para apresentarem o documentário italiano Lunàdigas - ovvero delle Donne senza Figli, uma lúdica, mas séria, abordagem ao tema das mulheres que não querem ter filhos e às implicações que essa decisão muitas vezes acarreta. O filme integra a Competição para o Melhor Documentário e é exibido da quinta-feira, dia 20, às 21h30, na Sala 3. De regresso ao festival estão os realizadores naturais de Porto Alegre, Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, com o seu mais recente Tinta Bruta (na imagem), sobre o estranho choque entre a realidade virtual e a vida real, difícil de gerir pelo seu protagonista, Pedro, que faz dinheiro através de espetáculos na webcam. Este filme encerra a Competição para a Melhor Longa-Metragem, com passagem na sexta-feira, dia 21, às 22h, na Sala Manoel de Oliveira.

Na Cinemateca Portuguesa e no Cinema São Jorge prossegue o ciclo “O vírus-cinema: cinema queer e VIH/sida”. Na sua reta final, é possível ainda ver Zero Patience (sexta-feira, dia 21, 17h15, Sala Manoel de Oliveira), de John Greyson, um musical que parodia a tentativa de descoberta do “paciente zero”; ou La Pudeur ou l’impudeur (sexta-feira, dia 21, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro), o vídeo-diarístico na primeira pessoa de Hervé Guibert. A encerrar este ciclo, a Cinemateca Portuguesa acolhe no sábado, dia 22, às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro, a longa-metragem Les Nuits Fauves, de Cyril Collard, o controverso filme que lançou um aceso debate à volta do VIH/sida em França, na altura do seu lançamento, em 1992.

A 51.ª edição da ModaLisboa decorre já de 11 a 14 de outubro, e o Queer Lisboa antecipa este evento apresentando um conjunto de documentários que revelam a importância da cultura queer na moda e de como a moda tem contribuído para o esbatimento de noções heteronormativas de género. No âmbito do programa, na quinta-feira, dia 20, às 19h15, na Sala 3, é exibido o documentário We Margiela, da produtora holandesa mint film office, que acompanha o nascimento da emblemática casa de moda dirigida pelo enigmático Martin Margiela, responsável por uma verdadeira revolução nesta indústria. A seguir à exibição, tem lugar um Debate com a presença de Eduarda Abbondanza, diretora da ModaLisboa, e Rui Palma, fotógrafo de moda.

A secção Panorama deste ano acolhe ainda L’Amour Debout, de Michaël Dacheux (sábado, dia 22, 17h15, Sala Manoel de Oliveira), sobre o reencontro de dois jovens que agora vivem em Paris e tentam cada um perceber o seu caminho, depois da separação. E, em sessão especial, o Queer Lisboa 22 reúne três das mais importantes curtas-metragens queer portuguesas produzidas neste último ano numa única sessão: Anjo, de Miguel Nunes; Flores, de Jorge Jácome; e Self Destructive Boys, de André Santos e Marco Leão, com exibição na quinta-feira, dia 20, às 19h30, na Sala Manoel de Oliveira.

As duas sessões de curtas da Competição In My Shorts (sexta-feira, dia 21, 17h, Sala 3 e sábado, dia 22, 15h, Sala 3), de filmes de escolas europeias acolhe um conjunto de filmes de instituições tão diversas como a London Film School, a Escola de Cinema e TV da Academia de Artes Performáticas de Praga, a Universidade Autónoma de Barcelona, ou a Le Fresnoy, e com a presença de Samuel Auer, realizador de Night Owls, de Mauro Soares, ator de Hello Cinta Pertamaku, Câmbio e Desligo, e de Clara Stern, realizadora de Mathias.

Dentro das atividades paralelas do Queer Lisboa 22, na quinta-feira, dia 20, às 18h30, na Sala 2, o produtor e realizador de documentários, áudio e realidade virtual, Rob Eagle dará um Workshop com o título Vidas queer no contar de histórias interativo. O Workshop, gratuito e aberto a todos os interessados, oferece uma perspetiva alargada das ferramentas à nossa disposição para contar histórias de vidas queer nos media interativos para além do cinema tradicional e sobre o que podemos construir sozinhos e com os recursos disponíveis em Lisboa.

O segundo e último fim-de-semana do Queer Lisboa 22 é também palco para a segunda sessão do Queer Pop (sábado, dia 22, 18h30, Sala 2) que será dedicada à Eurovisão, um Festival que, nascido em 1956, tem hoje uma história que, entre canções, gentes e factos, traduz, de certa forma a evolução política, social e musical da Europa. Em complemento a esta sessão, será ainda exibido o documentário Punk Voyage, de Jukka Kärkkäinen e J-P Passi (sábado, dia 22, 17h, Sala 3), sobre a banda finlandesa Pertti Kurikan Nimipäivät (PKN). 

Às 21h de sábado, dia 22, na Sala Manoel de Oliveira, tem lugar a Noite de Encerramento do Queer Lisboa 22, onde serão anunciados os prémios das diversas categorias da Competição, assim como os Prémios do Público. Como filme de encerramento será exibido o documentário Bixa Travesty, realizado por Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Neste mais recente trabalho destes realizadores brasileiros cujo trabalho o Queer Lisboa tem programado desde as suas primeiras obras, a dupla propõe-nos um imaginativo e desafiante documentário, dominado pela presença no ecrã da eletrizante Linn da Quebrada. Autodenominada “bixa travesty” e artista multimédia, oriunda da periferia de São Paulo, Linn ganhou notoriedade nos palcos com a canção “Enviadescer”, em 2016, sendo desde então uma pertinente e ativista voz pela defesa dos direitos das minorias queer. A seguir ao filme, tem lugar a Festa de Encerramento no Titanic Sur Mer, com a festa especial Homodrop: uma das raves queer mais celebradas de Londres. Junto ao host da noite (Florian Dovillez aka Cheriii), uma das melhores embaixadoras da cena pop lisboeta - Vanda Noronha aka Call Me Mother e Ana D'Armada Moreira -, e um esperadíssimo concerto de MIKEY., um cantor e performer australiano radicado em Berlim que, pela sua música e icónicas roupagens noturnas, tem conquistado um lugar no coração de multidões de fãs.