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Programação completa do Queer Lisboa 22

A 22.ª edição do Queer Lisboa é porventura uma das mais comprometidas socialmente, politicamente, mas também culturalmente, da sua história. O momento que atravessa a cultura queer, de um crescente experimentalismo, de um repensar da sua identidade e das suas fronteiras de intervenção, parecem significar um novo fôlego na procura de novos conceitos e expressões, mais próximos das reais vivências dos indivíduos e comunidades queer, hoje.

É sob esse compromisso que este ano o festival assume as problemáticas associadas ao VIH/sida como um dos temas centrais da sua programação, dando a conhecer o importante cinema que respondeu à epidemia nas suas origens, através do ciclo “O vírus-cinema: cinema queer e VIH/sida”, já anunciado, e do livro e da exposição que o acompanham.

Na presente edição, outros temas como as drogas, diferentes expressões religiosas, o pós-porno, ou problemáticas específicas ligadas aos indivíduos intersexo, transgéneros, ou as novas realidades virtuais, dominam as competições, a par dos temas sempre clássicos da descoberta da sexualidade, do feminismo ou das revisitações de figuras e acontecimentos históricos da cultura queer.

Os movimentos migratórios e o que eles implicam em termos identitários, alimentam e encontram lugar de reflexão em muito do cinema de anos recentes. Esta edição do Queer Lisboa também reúne um conjunto desses títulos. Além de filmes como And Breathe Normally, Room for a Man, ou Martyr, que integram as competições, o Panorama Special Focus complementa esta presença com filmes como Burka Songs 2.0 ou Apricot Groves, filme arménio de Pouria Heidary Oureh que dará lugar a um Debate a seguir à sessão, com a presença da programadora Esra Özban. Ainda, em colaboração com o festival Olhares do Mediterrâneo, a ter lugar de 27 a 30 de setembro no Cinema São Jorge, terá lugar uma sessão conjunta no dia 29 de setembro, às 16h30, na Sala 3, do documentário Mr. Gay Syria, da realizadora Ayse Toprak.

A par da exibição da já anunciada ficção lésbica Disobedience, a secção Panorama deste ano acolhe igualmente L’Amour Debout, de Michaël Dacheux. Ainda nesta Seção, e em sessão especial, o Queer Lisboa reúne três das mais importantes e recentes curtas-metragens queer portuguesas numa única sessão: Anjo, de Miguel Nunes; Flores, de Jorge Jácome; e Self Destructive Boys, de André Santos e Marco Leão.

O Queer Pop apresentará na sua primeira sessão um programa dedicado a Janelle Monáe, e a segunda sessão será dedicada à Eurovisão. Em complemento a esta sessão, será ainda exibido o documentário Punk Voyage, de Jukka Kärkkäinen e J-P Passi, sobre a banda finlandesa Pertti Kurikan Nimipäivät (PKN).

Nas Hard Nights, o regresso do cinema de dois realizadores, já anteriormente convidados do festival e cuja obra temos acompanhado: Bruce LaBruce, com o seu It is not the Pornographer that is Perverse..., e Émilie Jouvet, com My Body my Rules.

No total, serão exibidos 100 filmes de 32 nacionalidades diferentes. Dos 32 países presentes, os EUA são o mais representado, com 27 filmes. Segue-se o Brasil, com uma expressiva presença de 15 filmes; a França com 14 e o Reino Unido com 10 filmes. Um total de 8 filmes compõem a presença portuguesa no Festival.

Produtor e realizador de documentários, áudio e realidade virtual, Rob Eagle dará um Workshop com o título Vidas queer no contar de histórias interativo, no qual se tentará oferecer uma perspetiva alargada das ferramentas à nossa disposição para contar histórias de vidas queer nos media interativos para além do cinema tradicional.

De regresso ao Festival está o dramaturgo e encenador André Murraças, para a apresentação e lançamento do livro Queerquivo - arquivo LGBT português, um novo arquivo LGBT português que nasceu da falta de registo de vidas conhecidas ou anónimas, e ligadas ao universo LGBT do nosso país.

Paralelamente ao festival, apresentamos um conjunto de Festas. A propósito da estreia de Diamantino, o Titanic Sur Mer recebe a Festa de Abertura no dia 14 de Setembro, com a presença da equipa do filme, ao som dos Candy Fur e de Ricardo Varela. Na noite seguinte, é a vez de o Estúdio Time Out receber a segunda edição do concurso Miss Drag Lisboa, apresentado pela drag queen luso-canadiana Miss Moço. No decorrer da semana haverá uma Festa da Equipa no bar Corvo e um Queer Rendez-Vous no TR3S, culminado na Festa de Encerramento no Titanic Sur Mer, com a festa especial Homodrop: uma das raves queer mais celebradas de Londres. Junto ao host da noite (Florian Dovillez aka Cheriii), uma das melhores embaixadoras da cena pop lisboeta -Vanda Noronha aka Call Me Mother-, e um esperadíssimo concerto de MIKEY., cantor e performer radicado em Berlim que, pela sua música e icónicas roupagens noturnas, tem ganho um lugar no coração de multidões de fãs.

A programação completa de filmes do Queer Lisboa 22 pode ser consultada aqui, e o calendário de sessões e atividades aqui.