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Programação Completa do Queer Porto 6

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O Queer Lisboa e o Queer Porto, neste ano atípico, assumem o seu formatopresencial, celebrando a ideia de comunidade e socialização, dentro das necessárias restrições. Através de um conjunto de termos-chave transversais às muitas expressões da cultura queer, como o são o Cruising, Sex, Bodies, Play, Skin e Memory, o festival celebra o corpo e a sua diversidade sexual - o que estes termos nos ensinam sobre a influência dos nossos contextos vivenciais e sociais, e dos lugares que habitamos, na construção das nossas identidades voláteis. Celebra-se a importância da nossa presença, luta e transgressão, na apropriação e subjectivização dos espaços físicos e mentais que nos rodeiam. Com os muitos filmes que compõem as diferentes secções competitivas dos festivais das duas cidades, reforçados por um conjunto de sessões especiais e de conversas, debates e performances, reivindicamos o toque e o olhar, a entrega e o deslumbramento, e um conjunto de experiências que nos atravessem o corpo e que enaltecem as nossas complexidades.

Um dos principais destaques do Queer Porto 6 vai para o Filme de Abertura do Festival que será Si C’Était de L’Amour, de Patric Chiha, estreiado mundialmente na passada edição da Berlinale, onde recebeu o Prémio Teddy para melhor documentário. Como Filme de Encerramento o Festival escolheu Le Milieu de L’Horizon, de Delphine Lehericey, que teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián em 2019, onde ganhou o Prémio Greenpeace.

Um total de oito longas-metragens de ficção ou documentais integram a Competição Oficial: A Perfectly Normal Family, de Malou Reyman, que passou este ano pelo Festival Internacional de Cinema de Roterdão; L’Acrobate, de Rodrigue Jean, que volta ao Queer Porto cinco anos depois de apresentar L'Amour au Temps de la Guerre Civile; o documentário Always Amber, de Lia Hietala e Hannah Reinikainen Bergenman; Deux, de Filippo Meneghetti; Dopamina, de Natalia Imery Almario; Hombres de Piel Dura, de José Celestino Campusano; Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral; e Rescue the Fire, de Jasco Viefhues. O prémio de Melhor Filme, no valor de 3.000€, é atribuído pela RTP2 pela compra dos direitos de exibição. 

A par da Competição Oficial, o festival terá também a sua habitual Competição “In My Shorts”, constituída por filmes de escola portugueses. Este ano são quatro as escolas representadas. Da Escola Superior de Teatro e Cinema chega À Tarde, sob o Sol, de Gonçalo Pina, enquanto do Kino-Doc recebemos Caravagyo, de Ana Manana e Joana Lourenço. A Escola Artística de Soares dos Reis estará representada com três obras: A Dança do Narciso Inseguro, de Ana Matos; De A a D, de Maria João Paiva; e Somewhere in Outer Space this Might Be Happening Somehow, curta experimental imbuída da avant-gardedos anos 60 e 70, de Paulo Malafaya. Também explorando territórios semelhantes ao filme de Malafaya, temos por último, da Ar.Co, Test Room, de Pedro Antunes.

Como em Lisboa, também no Queer Porto haverá este ano uma secção Queer Focus, aqui dedicada exclusivamente ao tema Cruising e dividida em três sessões. Na primeira sessão poderemos encontrar Afterimages e Kisieland, de Karol Radziszewski, e Bodies without Bodies in Outer Space, de Rafał Morusiewicz. Com uma sessão constituída exclusivamente por filmes polacos, para além do cruising como tema central, reflete-se também o contexto das vidas da população LGBTQI+ na Polónia atual, acossadas pelas violentas políticas e discursos governamentais naquele país. O realizador, fotógrafo e ativista polaco Karol Radziszewski estará presente no Porto para uma conversa sobre estes temas.

A segunda sessão traz-nos Et in Arcadia Ego, de Sam Ashby, e Tearoom, de William E. Jones. E, por fim, a terceira sessão é programada pelo artista britânico, designer gráfico e editor Sam Ashby, que escolheu trazer Museum, de Arnoud Holleman, Umbrales, de Marie Louise Alemann, Underground, do padrinho do cinema porno gay Peter de Rome, e liz/james/stillholes, de Liz Rosenfeld. Sam Ashby e Liz Rosenfeld estarão no Porto para uma conversa que se seguirá a esta sessão.

Junta-se ainda ao programa uma Sessão Especial onde exibiremos Days (na foto), a aclamada mais recente obra de Tsai Ming-liang, premiada com o Special Jury Award do último Teddy da Berlinale.

E ainda espaço para o evento A Importância de Acreditar no Desconhecido, do Colectivo Prometeu, que estará nos Maus Hábitos e também espalhado por vários espaços da cidade do Porto. 

Este ano, a equipa de programação dos Festivais teve em consideração mais de 1.000 filmes, 497 deles recebidos como submissões, um número recorde para o festival.