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Queer Focus / Film Program 2: Et in Arcadia Ego + Tearoom

O cruising, ou engate, é um encontro sexual entre dois ou mais indivíduos, normalmente de cariz casual, anónimo e único. Mas, enquanto prática e fenómeno social, o cruising carrega consigo um conjunto de complexidades sociais, políticas, económicas, como também de negociação do desejo; é palco de diferentes expressões de sexo, sexualidade e género e levanta uma série de questões ligadas à noção de território – geográfico e de desejo -, e de criação de espaços de homossociabilidade. As casas de banho públicas, os cinemas, os jardins e matas, os parques de estacionamento, e um conjunto de outros locais específicos (mais ou menos expostos) das malhas urbanas das nossas cidades, são território conquistado a uma lógica de vivência e vigilância heteronormativa, através desse ato de transgressão que é o sexo queer em público. Desta forma, estes espaços e as suas funções específicas são sujeitos a uma subjectivização através do desejo do ato sexual. Esta noção de “território”, particularmente se a associarmos à ideia de negociação inerente à prática do cruising, faz destes, importantes locais para a construção de identidades queer, no sentido em que não podemos entender estas identidades como fixas, mas permeáveis a uma série de variantes, de entre as quais, os contextos espaciais pelos quais circula a economia de desejo de cada indivíduo. Neste contexto, Et in Arcadia Ego, de Sam Ashby oferece um olhar nostálgico a um conjunto de casas de banho públicas de Londres, outrora locais de eleição para o cottaging; ao passo em que Tearoom, de William E. Jones, documenta a vigilância e consequente punição dos indivíduos que transgrediram um espaço heteronormativo, para dar azo à circulação doa sua economia de desejo queer. J.F.