12 de Outubro
Outros Sistemas

“When I say virtuality is a cultural perception, I do not mean that it is merely a psychological phenomenon. It is instantiated in an array of powerful technologies. The perception of virtuality facilitates the development of virtual technologies, and the technologies reinforce the perception.”
(Ch1, p14 – How We Became Posthuman (1999) – N. Katherine Hayles)

 

Queer Lisboa e Queer Porto propõem uma selecção de objectos artísticos cuja expressão queer encontra lugar através da, e na tecnologia. Num mundo onde o virtual e o físico se materializam na sua sobreposição, este programa existe para além dos espaços físicos onde decorrem os festivais e unicamente online. Outros Sistemas é uma seleção de trabalhos cujo lugar preferencial é o do espaço digital, onde a miríade de possibilidades é inúmera. Da mesma forma que as práticas queer pressupõem a instabilidade dos sistemas, este arquivo alternativo é desenvolvido a partir de uma topologia de práticas que procuram, através da imaginação de novas possibilidades, construir narrativas ativáveis em diferentes formatos de acordo com uma nova percepção do mundo. Modelos relacionais que expressam também em formato áudio&visual a inegável relação entre seres humanos e máquinas. Utilizada como ferramenta ou como o espaço para albergar/transformar o próprio conteúdo, a tecnologia é manipulada para criar experiências que desafiam a sua própria classificação, convidando a nossa atenção a explorar uma temporalidade e espacialidade queer, produzindo significados alternativos que questionam a estrutura e lógica das políticas heteronormativas.

 

 


 

H.O.R.I.Z.O.N (The Institute of Queer Ecology) #computergame (Windows / Apple)

[https://queerecology.org/H-O-R-I-Z-O-N]
 

Ainda que de alta tecnologia e online, H.O.R.I.Z.O.N. (Habitat One: Regenerative Interactive Zone of Nurture) não é uma plataforma neutra nem ilimitada. Como com qualquer comunidade, uma comuna tem o seu carácter e forma de funcionar. Originado pelo Institute of Queer Ecology (IQECO), colaboradores convidados e do Guggenheim e exclusivo para cem habitantes de cada vez, H.O.R.I.Z.O.N é um espaço digital, intencionalmente pensado para ser um manual para um mundo online e offline cada vez mais em sintonia com práticas de ecologia, queerness e uma forma de viver mais inteligente.

Produzido pelo Institute of Queer Ecology (IQECO) para o Museu Guggenheim.

O jogo está disponível através do link do projecto (acima). Ou através do site Guggeheim.org

 


 

Bottoms Up (Mo Cohen) #mobilegame (Android)

[https://www.queermo.games/bottoms-up]
 

“Inspirado em materiais de arquivo da ONE National Gay & Lesbian Arquives em Los Angeles, ‘Bottoms Up’ é um jogo sobre ser-se proprietário de um bar queer nos anos 20 e construir uma comunidade queer fugindo à vigilância policial.” (Ch 2 – ‘Queer Indie Game-Making: An Interview with Mo Cohen by Bonnie Ruberg’ - Indie Games in the Digital Age (2020) M.J. Clarke & Cynthia Wang, Editors)

O jogo está disponível através do link do projecto (acima). Ou em Googleplay.

 



The Zizi Show (Jake Elwes) #interactiveperformance

[https://zizi.ai/]
 

‘The Zizi Show’ é um cabaret drag em formato deepfake, um palco online e virtual para um novo tipo de espectáculo. Nele estão incluídas performances que foram criadas com a utilização da tecnologia deepfake, a partir de acções drag de um grupo de performers humanos. ‘The Zizi Show’ disseca um dos mitos dominantes sobre Inteligência Artifical (IA) – a noção de que “uma IA” é algo que podemos confundir com uma pessoa.

‘The Zizi Show’ faz parte de The New Real, uma iniciativa do Edinburgh Futures Institute – University of Edinburgh.

O show está disponível através do link do projecto (acima). Mais informação sobre o projecto: https://www.jakeelwes.com/project-zizi-show.html e em: https://newreal.cc/zizi

 



Pest to Power (Natasha Tontey) #webexperience

[http://pesttopower.schloss-post.com/]
 

Natasha Tontey explora o presente e o futuro das redes não/humanas em ‘Pest to Power / Hama Memberkati’. A experiência no browser gira em torno do cosmos da barata, um animal com o qual os humanos têm muito a aprender. Como uma espécie que sobreviveu a momentos de extinção e transformação de épocas, o trabalho de Tontey apresenta a barata como uma fonte rica de conceitos alternativos de inteligência não humana e sistemas de conhecimento. Numa busca em tom de quase ficção-científica que celebra a ideia de um parentesco ecocêntrico incitando os humanos a um acto de desaprendizagem no processo de pensar e modelar os sistemas (IA) do nosso futuro.

Este projecto faz parte de Planetary Glitch incluído nas Web Residencies promovidas por Solitude e ZKM.

A experiência no browser está disponível através do link do projecto (acima).
Mais informação sobre o projecto: https://tontey.org/works/pest-to-power-2019/

e em: https://schloss-post.com/from-pest-to-power/   

 



Queering the Map (Lucas LaRochelle) #mappingplatform

[https://www.queeringthemap.com/]
 

‘Queering the Map’ é uma plataforma de contra-mapeamento gerada pela comunidade para arquivar digitalmente a experiência LGBTQ2IA+ em relação ao espaço físico. A plataforma fornece uma interface para gravar de forma colaborativa a cartografia da vida queer - desde bancos de parque ao meio do oceano – com o objectivo de preservar as nossas histórias e realidades, que continuam a ser invalidadas, contestadas e apagadas.

Através deste mapeamento da experiência LGBTQ2IA+ e as suas permutações intersectoriais, o projeto trabalha para gerar afinidades através da diferença e além das fronteiras – revelando as maneiras pelas quais estamos intimamente conectados.

Acesso ao mapa e mais informação através do link do projecto (acima).
 


 

We Dwell in Possibility (Robert Yang and Eleanor Davis) #onlinegame

[https://virtual-factory.co.uk/]
 

Para ‘We Dwell in Posiibility’, Robert Yang e Eleanor David subvertem as simulações heteronormativas de multidão usadas por arquitectos e urbanistas para criar a sua própria paisagem improvisada. Esta experiência online gratuita convida o jogador a plantar objetos, flores e árvores, com formas sugestivas, num universo de uma multidão interativa de personagens nuas simuladas através de IA – ilustradas com partes sexuais do corpo geradas aleatoriamente.

Produzido pelo Manchester International Festival.

Esta experiência está disponivel através do link do projecto (acima).
Mais informação através do site de Robert Yang: https://debacle.us/ e do Manchester International Festival: https://mif.co.uk/whats-on/we-dwell-in-possibility/

 



Festinha 360º (Puta da Silva) #vr #musicvideo

[https://www.youtube.com/watch?v=LvHCiKuTVQg]
 

Estreado no contexto do Festival Política nos primeiros meses de 2021, x multiartista Puta da Silva apresenta esta experiência 360º onde a noite de Lisboa é o palco para a representação de corpos transvestigeneres (transsexuais, travestis e transgéneros) imigrantes e racializados. Como parte do álbum áudio visual E.P.I. Travesti a experiência permite a imersão nas questões importantes ainda a discutir relativamente a assuntos de identidade e raça.

O vídeo está disponível através do link do projecto (acima).

Para uma melhor experência recomenda-se a utilização de um ‘VR headset’.

/ Mais Informações

Nota de agradecimento: para este programa gostaríamos de agradecer axs artistas pela amabilidade em partilhar os trabalhos para fazerem parte desta selecção. Agradecer também a colaboração de Isabelle Arvers na pesquisa e por apontar referências importantes neste campo. Finalmente, às instituições/organizações que também promovem o desenvolvimento e inclusão deste tipo de trabalhos nos seus programas.

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