05 de Novembro
«Certo, mas vamos lê-la», ou: Como escrever as vidas queer?

 

* Conversa com miguel bonneville, Odete e António Manso Preto, moderada por Ricardo Braun

Morto o autor, começamos (nós, herdeiros) a escrever-lhe, ou a reescrever-lhe, a vida (a prolongá-la, é a nossa esperança, a trazê-la para o meio de nós): mas o que cabe nessa escrita, ou como é que a fazemos? Como é que a centramos (que é o nosso propósito aqui, ao longo desta semana) no que ela teve, ou pode ter, de queer? Sentimos isso muitas vezes (eu, pelo menos, sinto) quando vemos filmes, ficções, documentários, sobre escritores queer: que, no esforço de se contar uma vida e uma obra (que, é preciso lembrar, não são a mesma coisa), uma e outra se arredondam, inevitavelmente; que se escolhe um fio, fácil de seguir: e que, pelo caminho, se perde, ou se apaga, o que aquela vida teve de áspero ou de complicado, o que é difícil de explicar. O que nos leva a outra pergunta, que é: quem conta estas vidas, e a quem, e com que objetivos? Ou então: que males fazemos quando achamos estar a fazer bem? É disso que vamos estar a falar, miguel bonneville, Odete e António Manso Preto, que escrevem e fazem filmes, e eu, Ricardo Braun: das pessoas retratadas nestes quatro documentários, Paul e Jane Bowles, Mary Oliver, McKenzie Wark e Agustín Gómez-Arcos; e de outras pessoas, os nossos mortos individuais; das vidas que tiveram e das obras que deixaram; de como contaram as suas vidas no que escreveram; do que ocultaram, por esta ou por aquela razão; e de como as contamos nós, essas vidas, hoje, no que nós próprios escrevemos. (Ricardo Braun)

 

/ Mais Informações

  • Casa Comum (Reitoria da Universidade do Porto)
  • Horário: a seguir à exibição da curta-metragem que passa às 18h
  • Entrada gratuita (sujeita à lotação do espaço)
  • Conversa em português

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